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farol002 

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A minha mãe

Quando a conheci tinha eu vinte e um anos de idade, não que nunca a tivesse visto, ela cresceu comigo como uma irmã mais velha, tinha ela vinte anos quando me teve… ela a filha cassula da avó Filipa, a última num universo de oito irmãos.

Tia como era e é chamada por todos, era contemporânea de todos os seus sobrinhos. Entre outras alcunhas carinhosas era também chamada de Mãe preta, por ter os lábios longos. Tinha mais ou menos um metro e setenta e cinco de altura, esbelta, cabelos pretos e longos, uma Deusa.

A minha mãe era simplesmente a minha mãe, menina dos meus olhos, a jóia da coroa …

E como dizia conheci-a aos vinte e um anos de idade, na véspera do nascimento da minha finada Liriane, a minha primogénita, eu grávida apenas vibrava ou chorava com cada sintoma ou reacção da gestação e ela decidiu ensinar-me o que era ser mãe.

Eu que sempre a vi na sombra da minha avó, a tia pegou as minhas mãos e decidiu mostrar-me o mundo pelos seus olhos, e aí notei que ela tinha varizes e que seus olhos eram negros, ela a menina dos meus olhos… tornou-se uma estrela que brilhava no meu caminho e iluminava os meus passos. Depois descobri o poder da oração quando com jeitinho me ensinou alguns truques de magia… poupar, perdoar e doar… A seguir ensinou-me também a camuflagem de emoções e o lugar de cada inquietação.

Eu apenas sabia que tia era a pessoa que nos colocou no mundo, mas conheci-a quando me apresentou o mundo com um manual de instruções intitulado “saber andar”. Às vezes ela exagera nas precauções e já concordámos que ela é muito permissiva e passiva…

– As coisas mudam, dona… Não sabes, este não é o teu tempo… tens muito que aprender.

Por vezes a contrariamos… por vezes a apoiamos, por vezes simplesmente obedecemos contra toda a nossa vontade.

A minha mãe já carrega na pele castanha, marcas de uma carreira dedicada aos seus nove filhos, uma vida de superações, repleta de nostalgia dos seus tempos de menina onde desfilava toda a sua inocência. Hoje a Tia é mesmo a Tia…

Tia dos genros e netos, dos vizinhos e amigos, tia dos sobrinhos, primos e até dos irmãos.

No dia doze de Janeiro, o dia do aniversário do meu filho, não tinha como dar uma festa nem tinha como justificar a falta de dinheiro a uma criança de doze anos, decidi improvisar com um mini bolo; peguei no almoço do dia e levei-os à praia, na hora dos parabéns estávamos todos expectantes e ansiosos pela primeira fatia do bolo.

Foi então que ele pegou na primeira fatia e a entregou ao seu amigo. Olhou para mim e disse tu és a minha mãe tens direito à segunda… Um brinde mama.

A autora escreve em PT Angola
http://www.jornaltornado.pt/minha-mae//n

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